quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Lembranças e Respostas



Agora o processo é dar meia volta e seguir, com pés firmes ao chão, até aquela estrada de onde se vê, ao longe, intenso e inteiro, o sol nascer e se pôr. E sorte teria este pobre retirante, se durante um ocaso qualquer, por essas curvas perigosas, pelos atalhos de terra batida, encontrasse aquele ser que aparece e desaparece quando bem entende, como por encanto; que enche o coração de vida todo dia, bem cedinho.
É, é exatamente aquele ser que me faz escrever a felicidade, que quando chega não deixa a tristeza predominar, faz o relógio girar ao contrário; que sempre entrega, em mãos, papel e caneta e pede pra que eu o descreva em prosa - como se nesse imenso léxico existisse, ao menos, uma única palavra que o descrevesse. E depois das mal traçadas linhas, admirar a ternura do olhar, ao ler algumas palavras de pouco sentido, traz as mais lisonjeiras sensações.
A lua, brincando comigo, necessitará da tua presença em outro lugar e, como magia, vai te roubar de mim de novo. Eu vou ter que caminhar, até amanhecer, te procurando em outros rostos e olhares.
Depois disso tudo, vou chegar àquela antiga encruzilhada e sentar, enquanto a chuva fina vai molhar, aliviando aquelas leves dores e o cheiro de terra molhada vai trazer lembranças e respostas.

6 comentários:

Mai Amorim disse...

A chuva sempre me traz respostas.
Ou pelo menos uma sensação muito boa de alguma coisa q eu n sei dizer.

sei la', a gente acaba busando artifícios estupendamente humanos na tentativa de explicar/descrever algo tão além, tão sublime...


(L)

veh disse...

eh bom qndo se tm lembranças e respostas..
o ruim é ter apenas as lembranças.

adorei o texto.
;*

Kika Macedo disse...

Lembranças e respostas...

Pra mim as lebranças não trazem respostas, elas chegam sozinhas... e me levam ao desespero.

Acho que estou enloquecendo.

Lindo.

beijos

Mai Amorim disse...

Não esquece que você é a melhor.

^^

Anônimo disse...

uma lembrança muito boa

[The stone age_Talita Cavalcante] disse...

Bom... Aliás, nem tão bom.
Essas [tuas] lembranças, sempre me remetem [às minhas] ao meu lado obsoleto.
Mas o texto é sim digno de graciosos elogios.
Parabéns.