sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sobre amor e aves.



D - Amar é tão bom, não acha?
C - É, mas nunca é suficiente, chega a ser ridícula essa eterna mania de procurar.
D - Exatamente. Ridícula.


(...)


D - Tá vendo ali?
C - O quê?
D - As aves.
C - Ah, sim. Lindas!
D - Às vezes eu tento achar uma forma de comparar o Amor às aves. Percebe a liberdade com que elas planam? Por que o Amor não é assim?
C - Porque É o Amor e sendo Amor, é assim complicado!
D - É... Será que você consegue, agora, criar algo falando dos dois? (peguei!)
C - (Pausa para o gole de SB) Enquanto o amor voa, as aves vivem em mim.




Silêncio...
D - Eu te odeio!


C - (Risos) Eu te ave!




Quem dera que todo amor planasse;
Quem dera que qualquer ave te trouxesse pra pertinho em um bater de asas.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A flor de papel e o poeta.


As flores de papel eram finas e, se molhadas, eram machucadas facilmente; mas o vento, quando bem forte, as secava e lhes trazia vida.

Quando a janela é aberta, bem cedinho, o sol ilumina as cores que só aquela rosa tem e faz com que o Poeta sorria sentindo cada uma delas que o arco-íris reflete na sua rosa. O coração do poeta se enche de brilho quando ela parece sorrir também. Tudo graças ao vento.
O poeta ainda não se perdoou por ter derramado água em sua rosa preferida. A raiva que tomou conta dele quase tira a vida dela. Mas ela é forte, assim como as suas cores: cor-do-mar daqui, cor-do-vento, cor-de-palmeira, cor-do-ocaso, cor-dos-olhos e até a cor-da-saudade descrita pelo amigo do pintor.
Aquela não é uma rosa natural, eu sei, mesmo porque já teria morrido. É de papel, isso sim. Só o fogo a destruiria. A água só conseguiu deixá-la mais rígida.


O poeta sentia saudade do tempo em que o medo de incomodar era evidente. Há algum tempo tinha decretado que seria feliz independente do que fosse necessário para isso: ele fez de tudo e hoje ele se considera um ser quase feliz!
O poeta tem uma carta dividida em três partes e quando vai ler, sempre pula a segunda e as outras duas ainda conseguem emocioná-lo, ao ponto de quase nunca ter coragem para ler. Das cinco vezes que ele a leu, os olhos não resistiram. Chorar pelo mesmo motivo ainda incomoda o poeta. Mas dessa vez as lágrimas têm um gosto diferente, agora é de conquista e não de perda (muito embora tenha perdido).
Ter perdido não entristece mais o poeta, agora ele sente total orgulho por ter feito parte, por ter conquistado espaço, mesmo que por pouco tempo.
Um amigo do poeta, que também é poeta, disse a ele que GOSTAR e TER é muito, é puro egoísmo. Mesmo porque quando se gosta é sinal que já possui e da melhor forma possível: bem guardado.
Ele releu “O Pequeno Príncipe” e agora tirou outra lição: o pequeno príncipe FEZ com que sua rosa tivesse sentido completo, assim como, se houvessem rituais e empenho, ele poderia dar sentido a outras rosas tão especiais quanto a sua que estava no outro planeta. Ele ainda é passível de ser cativado e ainda lembra como se muda o foco.

O Poeta recuperou a pena,
Já fez as pazes com as metáforas,
Sentiu total as cores e, principalmente, o vento.