quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O vestido.

Por onde andaria aquele vestido? Enfeitiçaria outros ventos, outros olhares?
Não, contaram-lhe que o vestido estava rasgado, largado em um canto em um armário qualquer.

- O que falta ao vestido?
- Tem um buraco onde antes havia um botão.

O vestido é o mesmo, continua bonito, mas não tem vida. A vida por dentro do vestido se perdeu também? E o botão, ainda pode ser costurado?
Ela não entendia porque não costuravam o tal vestido vermelho e porque a vida não o vestia de novo.
Nós éramos como ele? Fez sentido, virou passado largado no armário e sem botão.
Sentimentos rasgam? Por onde andam os nossos botões?

Eu tenho agulha e linha...

Podemos nos costurar?

Silêncio...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vinte e sete.

Aquela moça na parada, às 7h da manhã, não tinha cor de quem acordara pronta pra pegar um ônibus em pleno dia vinte e sete. Ela estava ali, parada, esperando que o motorista do ônibus tivesse um bom dia manso para dar. Todos os dias ela esperava um bom dia como do motorista do ônibus ou aqueles que chegavam para ela todos os dias através de mensagens no celular. E esperava ver, pela janela, um velho arco-íris que não vinha faz tempo.
Era quase um mês! Eram as coisas que não aconteciam que a assustavam. E o dia tinha cara de não-dia, de noite que não amanheceu.
O cigarro queimava entre os dedos dela. Era o vento fumando para acalmar a vontade de virar furacão.