sábado, 17 de abril de 2010

Me dói o tempo parado.

Não pise na grama. Ou pise, caso seus pés sintam vontade.

Eu tinha tanta coisa pra te dizer. Tudo o que você precisava saber, precisava entender. Entre coisas supérfluas como a margarina que teima em sujar o chão logo cedo. Porque quem não tem sorte é assim, dizia papai: “o pão cairá sempre com a margarina pra baixo”. Das tantas que eu andei, tentando encontrar um último sorriso, a última peça do quebra-cabeça que estava perdida entre os muitos cd’s que tomavam conta da nossa cama, do nosso colchão.
Você precisa saber de mim, de nós: do que nos restou.
Eu sinto saudades.
Dessas que não morrem dentro de um abraço.
E entre coisas que eu sei, e que eu também não sei mais, me dói o tempo parado.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entre livros e pedras.

Ela lia. E tirava, prazerosamente, o resto de esmalte das unhas: camadas e camadas que ficavam na pele, grudadas no sorriso dela. Ela respirava lentamente, como se quisesse, pelo ar, devorar todas as palavras que enchiam o livro em um redemoinho sem fim. Ela era fato, enfim!

No outro, o sabor de cada gesto, o prazer da cena!


Depois de tanto tempo, o frio persistente na barriga transformou-se em algo que em alguns momentos eu chamava de qualquer coisa grande que preenchia todos os espaços vazios e, em outros: Amor.
Aquele que nasceu entre as pedras.