quinta-feira, 3 de junho de 2010

Para uma bela flor de pétalas urticantes

As suas palavras, hoje ásperas, me encheram de dor ao entrar por um ouvido e tentar sair pelo outro. Você me fez reverter o que deveria ter deixado intacto. Os seus caminhos foram de encontro às suas palavras e a incoerência dos seus atos tornou-se gritante agora. Ouve-se ao longe um cantar vago de passado; passado frio e morto – como EU a seu querer. Poema de um pseudo-amor que ninguém viveu, rabiscado M-E-N-T-I-R-A com caneta bic azul.
Mantenho-me fora, onde você gostaria de estar. Onde os seus pés não ousaram pisar, ou pisaram e não suportaram o jardim de flores carnívoras do esquecimento, do podre pesar dos seus gestos discretos, auto-Vitimados.
As coisas pobres correm, fluem, e você destrói aquilo que pediu para deixar firme. Os valores gritados. Não vividos.
Deixe, eu repito, deixe que difamem a mim, enquanto você ouve com ouvidos de farpas. Ouvido disposto a aceitar qualquer coisa que me torne intangível: o seu.
Nada seu ficou. Só o fato, do qual ninguém duvida. Nós ruímos, quebramos, cortamos os leves ideais de qualquer-coisa ou porra-nenhuma, tanto faz. Você moldou um velho e desbotado relicário.
Correndo de um ouvido a outro, você escolheu transformar-se em palavras cortantes que quebram os seus frágeis valores de vidro. De vidro trincado.
Viva os seus espinhos, bela flor de pétalas urticantes.
"Ainda que esta seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo." (Pablo Neruda)

4 comentários:

camila chaves disse...

tudo forte.
tudo triste.

=~

Penedo Junior disse...

Tem selinho para ti no meu Blog.
Beijo grande e parabéns!

Camila Castro disse...

sim.
triste... magoado...

=/

Melodie Ramos disse...

Oi oi :)

Visto ler assiduamente o teu blog, deixei-te no meu, um desafio com um selinho :D

Beijinho