domingo, 8 de agosto de 2010

Palavras que pulsam cores.

Vermelho: da cor da noite quando sobe. Ou da saudade, quando ela aperta: Branco. Não há nada mais barulhento que o relógio que parou: Cinza. O espelho que reflete o Preto do som límpido de ontem quebrou. Azuis eram os cacos que, brilhando, cegavam as retinas Verdes da espera. O cheiro das notas que saíam do violão largado no canto ensurdecia em seu incomensurável...

...Silêncio!

Entre os relógios que batem e os vasos coladoridos, repousam leves, lépidas, elas: as cores que saem da boca amarga do tempo.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Desejos


... a gente espera até cansar, até a última janela se fechar, eu prometo. Porque de alguma forma a gente sabia que desistir não era nobre, tinha escrito no livro que tava em cima da cama. Uma já nem sabia ver as horas, não sabia mais do vento, nem do cheiro da chuva quando cai sem avisar: terra molhada. A outra só sabia que o tempo corria num tic-tac sem fim. Não tinham mais histórias, não tinham mais medos, nem segredos que pudessem guardar na caixinha fechada com os sete cadeados.
A pulseira laranja estendida no pulso há meses e meses arrebentou. E agora, onde posso ir para ver os desejos se realizarem?