segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Desejos


... a gente espera até cansar, até a última janela se fechar, eu prometo. Porque de alguma forma a gente sabia que desistir não era nobre, tinha escrito no livro que tava em cima da cama. Uma já nem sabia ver as horas, não sabia mais do vento, nem do cheiro da chuva quando cai sem avisar: terra molhada. A outra só sabia que o tempo corria num tic-tac sem fim. Não tinham mais histórias, não tinham mais medos, nem segredos que pudessem guardar na caixinha fechada com os sete cadeados.
A pulseira laranja estendida no pulso há meses e meses arrebentou. E agora, onde posso ir para ver os desejos se realizarem?

2 comentários:

Nanda disse...

minha fitinha é verde, laranja e anis. E todas arrebentam que é uma beleza. já os desejos.. esses devem surgir só com as fitinhas cor-de-arco-íris. só pode!

camila chaves disse...

minhas fitinhas nunca arrebentaram. não sei se porque quando costumava usá-las eu sempre punha entre os três pedidos alguma coisa bastante absurda, como poder "comer pizza todos os dias".

fora o pedido absurdo, a impressão que eu tinha era que os outros iam se realizando a medida em que o tempo ia passando e a fitinha se desgastando, não necessariamente rompendo.

hoje tenho uma fitinha vermelha no pulso esquerdo e que não parece gasta, mas tende a arrebentar em um dos lados. acho que desta vez pedi certo, embora saiba que pedi algo que talvez nem verei, mas que sinto fazer parte de um processo.

nesse sentido, esse teu texto antecipou algo que andei pensando um dia desses ao perceber que minha fitinha se arrebentaria. acho que uma espécie de medo de não ter no que esperar, e esperar no sentido de ter esperança.

acho que ter esperança é a única coisa que nos faz amarrar fitinhas no pulso e por mais que a gente espere que elas arrebentem, a verdade mesmo é que a gente não quer que isso aconteça. é confuso.

um beijo,