quarta-feira, 13 de abril de 2016

Minha Capitu.



“Mãe, olha o limão nos meus olhos que eu quero ver.”
(Bandeira Tribuzi)

Tinha tudo pra ser bobagem inventada por corações cansados. Não. Seria impossível. Não eram apenas dois corações cansados, eram olhos que se liam e, dentro de tudo que era sujo e condenado, com o punhado de pedras que nos arremessaram, começamos a erguer o forte castelo que dá proteção às nossas maiores – e também menores – vontades.
Hoje somos mais. Somos mais fortes, limpamos tudo e fechamos as portas para aproveitarmos as poesias retidas dentro de nós mesmas.
Por aqui, o que se respira é limpo e tem a beleza de um girassol que nasceu dentro de um poço – fundo – de tristezas. Por aqui, perdemos o ocaso dentro de um beijo, enquanto golfinhos enfeitavam e davam vida a um velho mar cinzento.
Superamos as feridas físicas, os pontapés e os socos, e transformamos – todos os dias – companheirismo em amor. Eu sei, sabemos, as maiores verdades estão escritas no maior portal da alma: os teus olhos verdes.
Que assim seja: que os sorrisos dos teus olhos, Capitu de nossa própria criação, ao amanhecer, iluminem, iluminem e iluminem todos nossos caminhos e direções, apesar de tudo, apesar de todos, apesar do mundo...

Sob aplausos da ilusão


Sob aplausos da agonia e do álcool, a minha dor deu espetáculo!

No final da noite, o samba desafinou, a bateria atravessou, as notas foram as mesmas do carnaval passado e a minha escola continuará no segundo grupo, como sempre esteve.
Não era pessimismo não, era realidade doída de carnavalesco e, se aos outros não cabe a verdade, vou deixar o posto e ser, do meu bloco, um simples folião.
Nas ruas do meu carnaval, enquanto o álcool me toma as melhores horas da noite, te encontrarei, quem sabe, feliz nos braços de um Arlequim. O carnaval terá valido a pena e a ÚNICA lágrima que me cabe, rolará pelo rosto como o meu maior refrigério.


“Agora eu sei, desfilei sob aplausos da ilusão!”

terça-feira, 12 de abril de 2016

Ontem


Fica sempre uma saudade velada de um abraço, um cheiro, um ontem. Fica também o medo da perda. Medo do amanhã que ainda não veio. Mas, paradoxalmente, desejado: que venha e traga a fé no sentir do outro, que traga dias limpos e lindos. Que leve o medo que arrasta consigo a beleza das cores que iluminam os melhores dias.
Fica a certeza do amor que emana todos os dias de um coração que era desenganado, mas que se traduziu no maior amor que poderia sustentar. Fica uma necessidade de receber, todos os dias, o eu te amo que tira os pés do chão e transforma as incertezas em pedaços de felicidade.

Desligar


Desligar é como romper, quebrar; é estar sozinho depois de em completa companhia. Desligar, às vezes, é desumano. Desligar é se ver só querendo estar junto, é ver que o tempo acabou e, olha, Amor não cabe em sessões, amor não cabe em ter tempo determinado, em conferir minutos. 
Chorar de emoção diante de mágoas antigas, senhores, é sinal de amadurecimento e não de desequilíbrio. Querer junto, depois de tantas e tantos, vários e porquês, é sinal de coragem. 

Desligar é, nesse caso, acordar de um sonho.