sábado, 25 de fevereiro de 2017

Recomeço.


Eu encontrei um sorriso rabiscado em uma folha de A4, colada feito lamb, no muro que um dia serviu como proteção à alma. Retirei, com cautela, tudo que ele um dia significou. Lembrei que nem a morte aguenta a dor de quem ama. Amar não mata. Não ter é a folga e a limpeza pro que há de vir. Hoje, desprotegida, escondida das bandinhas de carnaval com seus brincantes e suas serpentinas, minha alma se curvou e chorou. Houve falta, medo – pequenos riscos perto da esperança que se fundiu ao apelo de felicidade. A luz rompeu o obscuro medo e desenhou, com sombras, a seta certeira de Oxossi que apontava sempre para a neblina logo à frente. Nada vi. Choveu olhos abaixo. A água banhou e enlameou o corpo inteiro, enquanto o vento do antigo poeta soprou em meus ouvidos. Os dedos, soldados fiéis, respiraram vagarosamente e despertaram o sono hibernal da poesia. É o recomeço. Quem sente medo de atravessar a neblina dos artistas e dos loucos, estagna na dor. De repente, tranquilamente, o céu caiu furado por baixo: buraco de faca de amante ferido. Fiz da nuvem mais densa meu tapete voador! 

Ar!

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